Cida Moreira reacende a fogueira de Angela Ro Ro com mais coesão na volta do show 'Me acalmo danando' ao Rio

Cida Moreira reapresenta o show 'Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro' no palco do clube Manouche na noite de hoje, 12 de fevereiro Rodrigo Goffredo ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Revi na noite de hoje, 12 de fevereiro, o show em que Cida Moreira canta o repertório de Angela Ro Ro (1949 – 2025). Assisti ao show “Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro” pela segunda vez no mesmo palco do Manouche em que ele chegou à cena, em 31 de janeiro, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal de Angela. Desta segunda vez, o show resultou mais coeso, redondo, sem as tensões da estreia tumultuada por espectadora inconveniente que, sentada na primeira fila, desestabilizou Cida. Intérprete de veia teatral, Cida tem voz expressiva que vai ao grave ao agudo. Mas o canto de Cida é movido sobretudo pelo sentimento, pela alma da artista. Nada pode atrapalhar a emoção do canto. Qualquer desatenção ou gesto infeliz, faça não! Pode ser a gota d’água... Por isso, o show de hoje soou tão mais sedutor e envolvente, embora a apresentação da estreia também tenha tido grandes momentos. Admiro Cida Moreira com fervor. Sempre que essa cantora paulistana (“Eu sou São Paulo”, chegou a dizer na apresentação de hoje) estreia show no Rio, lá estou eu na plateia. Cida me mobiliza tanto quanto as grandes divas da MPB. Talvez porque traga no canto a essência da atriz que também é. E o fato é que eu amei ver e ouvir Cida Moreira reacendendo a fogueira de Angela Ro diante de plateia em que estavam a atriz Ana Beatriz Nogueira e o pesquisador musical Rodrigo Faour. Na apresentação de hoje, Cida tirou duas músicas – “Devoção” (1980) e “Karma secular” (1986) – e, admito, prefiro o show sem elas. Até por isso, tensões da estreia à parte, o show de hoje tenha transcorrido com perfeição. Particularmente, sinto a ausência no roteiro de “Só nos resta viver” (1980), bela canção que deu título ao segundo álbum de Angela Ro Ro, mas isso é questão de gosto pessoal. Cida habita o mesmo universo gauche em que viveu Ro Ro. Uma entendia a loucura e a alma da outra. Talvez por isso o cancioneiro de Angela Ro Ro se afine tanto com a voz de Cida Moreira. Cida Moreira em flagrante introspectivo do show em que canta a música de Angela Ro Ro Rodrigo Goffredo

Fev 13, 2026 - 00:00
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Cida Moreira reacende a fogueira de Angela Ro Ro com mais coesão na volta do show 'Me acalmo danando' ao Rio

Cida Moreira reapresenta o show 'Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro' no palco do clube Manouche na noite de hoje, 12 de fevereiro Rodrigo Goffredo ♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR ♬ Revi na noite de hoje, 12 de fevereiro, o show em que Cida Moreira canta o repertório de Angela Ro Ro (1949 – 2025). Assisti ao show “Me acalmo danando – A música de Angela Ro Ro” pela segunda vez no mesmo palco do Manouche em que ele chegou à cena, em 31 de janeiro, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal de Angela. Desta segunda vez, o show resultou mais coeso, redondo, sem as tensões da estreia tumultuada por espectadora inconveniente que, sentada na primeira fila, desestabilizou Cida. Intérprete de veia teatral, Cida tem voz expressiva que vai ao grave ao agudo. Mas o canto de Cida é movido sobretudo pelo sentimento, pela alma da artista. Nada pode atrapalhar a emoção do canto. Qualquer desatenção ou gesto infeliz, faça não! Pode ser a gota d’água... Por isso, o show de hoje soou tão mais sedutor e envolvente, embora a apresentação da estreia também tenha tido grandes momentos. Admiro Cida Moreira com fervor. Sempre que essa cantora paulistana (“Eu sou São Paulo”, chegou a dizer na apresentação de hoje) estreia show no Rio, lá estou eu na plateia. Cida me mobiliza tanto quanto as grandes divas da MPB. Talvez porque traga no canto a essência da atriz que também é. E o fato é que eu amei ver e ouvir Cida Moreira reacendendo a fogueira de Angela Ro diante de plateia em que estavam a atriz Ana Beatriz Nogueira e o pesquisador musical Rodrigo Faour. Na apresentação de hoje, Cida tirou duas músicas – “Devoção” (1980) e “Karma secular” (1986) – e, admito, prefiro o show sem elas. Até por isso, tensões da estreia à parte, o show de hoje tenha transcorrido com perfeição. Particularmente, sinto a ausência no roteiro de “Só nos resta viver” (1980), bela canção que deu título ao segundo álbum de Angela Ro Ro, mas isso é questão de gosto pessoal. Cida habita o mesmo universo gauche em que viveu Ro Ro. Uma entendia a loucura e a alma da outra. Talvez por isso o cancioneiro de Angela Ro Ro se afine tanto com a voz de Cida Moreira. Cida Moreira em flagrante introspectivo do show em que canta a música de Angela Ro Ro Rodrigo Goffredo