Façanha do Grêmio Maringá contra o Aranha Negra e a União Soviética completa 60 anos
O dia 13 de fevereiro de 1966 tem um capítulo especial na história da cidade de Maringá e do futebol paranaense. Há exatos 60 anos, o tradicional Grêmio Maringá foi responsável por uma façanha gigantesca ao vencer a União Soviética, uma das principais seleções do mundo na época, pelo placar de 3 a 2. O […]
O dia 13 de fevereiro de 1966 tem um capítulo especial na história da cidade de Maringá e do futebol paranaense. Há exatos 60 anos, o tradicional Grêmio Maringá foi responsável por uma façanha gigantesca ao vencer a União Soviética, uma das principais seleções do mundo na época, pelo placar de 3 a 2. O jogo é considerado por muitos como o maior do Estádio Willie Davids.
A partida fazia parte da preparação dos soviéticos para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra. Em turnê pelo Brasil, o time do lendário goleiro Lev Yashin – o Aranha Negra – ganhou amistosos em Minas Gerais (contra Atlético-MG, Cruzeiro e Uberlândia). No Torneio João Havelange, foi derrotado por Corinthians e Palmeiras.
Destaque anos 1960, a força do Grêmio Maringá pesou na escolha da Cidade Canção para o amistoso. O clube havia conquistado dois títulos recentes do Campeonato Paranaense (1963 e 1964), além de ter sido tricampeão do interior entre 1963 e 1965.
“A Federação Paranaense viu potencial em Maringá”, conta Antonio Roberto de Paula, diretor do Museu Esportivo de Maringá, em entrevista ao UmDois Esportes.
Era um processo natural para ter casa cheia. Para o maringaense e região, foi um espetáculo. A expectativa foi muito grande para ter uma seleção internacional. Foi um acontecimento.

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Maringá se mobilizou para receber a União Soviética
A cidade de Maringá parou para receber uma das principais seleções do mundo. Estiveram no Interior paranaense grandes nomes do futebol mundial, como o goleiro Lev Yashin, o melhor da história, e o atacante Metrevelli, outro ídolo soviético.
“As emissoras de rádio divulgaram demais, tinham cartazes espalhados nos pontos principais da cidade para divulgar o amistoso. O apelo era muito forte. Maringá se mobilizou, prefeitura e os órgãos públicos também”, destaca Roberto de Paula.
Apesar do favoritismo da União Soviética, o Grêmio Maringá mostrou sua força como mandante e não decepcionou os mais de 20 mil espectadores. Luiz Roberto e Edgar abriram 2 a 0 no primeiro tempo, mas os Shesterniev e Banischeviski igualaram o marcador. Já na segunda etapa, Edgar balançou a rede novamente e se tornou o grande herói do dia.
A escalação do Grêmio Maringá no jogo histórico teve Maurício Gonçalves; Oliveira, Edson Faria, Roderley e Pinduca (Vitão); Haroldo Jarra e Zuring; Luiz Roberto (Danúbio), Edgar, Célio e Valtinho.
A URSS jogou com Lev Yashin; Malafeev (Danilov), Shesternyov, Afonin e Guetmanov; Voronin e Sabo; Slava Metreveli, Ivanov (Prokoniov), Banishevskiy (Kopaiev) e Meshki (Vanist).
“Foi um jogo bastante disputado. Os russos reclamaram muito do calor, mas o Grêmio tinha um bom time. Abriu 2 a 0 de vantagem, a União Soviética empatou ainda no primeiro tempo, e o Edgar marcou o gol da vitória no segundo tempo. Foi uma partida muito disputada e não teve ares de amistoso. Tanto que não foi considerado como amistoso pelos maringaenses, que instituíram uma taça para os vencedores. Após o jogo, os jogadores fizeram uma volta olímpica”, afirma o diretor do Museu Esportivo de Maringá.
A vitória histórica do Grêmio Maringá sobre a União Soviética gerou até um telegrama do então governador do Paraná, Paulo Pimentel.
“Peço, amigo Navarro [Mansur, presidente do Grêmio], que cumprimente aos atletas do Grêmio, leve meu abraço pessoal pela vitória magnífica do próprio futebol brasileiro nas terras araucarianas. Desejo, ainda, que sintam nesta manifestação, o calor do interesse com que acompanhei o impressionante feito esportivo internacional, conquistado pelos rapazes do Grêmio”.

União Soviética fez a melhor campanha de sua história na Copa do Mundo
A preparação no Brasil rendeu bons frutos para a União Soviética, que terminou em quarto lugar na Copa do Mundo de 1966 e fez sua melhor campanha na história. O time soviético perdeu apenas na semifinal para a Alemanha Ocidental, por 2 a 1, e na disputa do terceiro lugar para Portugal, pelo mesmo placar.
Já o Grêmio Maringá ganhou o Campeonato Paranaense somente mais uma vez (em 1977) e chegou a ficar mais de 20 anos inativo até o retorno em 2022. Hoje, o time disputa somente a Terceira Divisão do Estadual. A principal potência da cidade é o Maringá Futebol Clube, vice-campeão paranaense em 2023 e 2024 e que joga a Série C do Campeonato Brasileiro.
Independentemente dos resultados nas últimas décadas, o Grêmio Maringá está na história da cidade e do futebol paranaense pela vitória no amistoso há 60 anos.
“Tivemos grandes acontecimentos no Willie Davids, mas o que salta os olhos da história e fica latente é o amistoso em 1966. Não consigo ver um jogo tão impactante e história tão bonita quanto essa. Os 3 a 2 do amistoso permanecem até hoje”, destaca Roberto de Paula.
Foi um dos maiores jogos ocorridos na história do Willie Davids, senão o maior. Se fizer uma enquete com quem acompanhou, as pessoas vão falar que o amistoso contra a União Soviética foi o maior jogo realizado no estádio.


