“Recomeçar do zero”: SAF do Paraná Clube sofre duro golpe

Os credores do Paraná Clube aprovaram, nesta quinta-feira (19), o novo plano de Recuperação Judicial (RJ) que pode dar sequência à venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). No entanto, o plano aprovado não contempla a proposta vinculante da NextPlay Holding S.A., única que demonstrou interesse oficialmente em adquirir a UPI Futebol. Ou seja, o […]

Nov 19, 2025 - 12:30
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“Recomeçar do zero”: SAF do Paraná Clube sofre duro golpe

Os credores do Paraná Clube aprovaram, nesta quinta-feira (19), o novo plano de Recuperação Judicial (RJ) que pode dar sequência à venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

No entanto, o plano aprovado não contempla a proposta vinculante da NextPlay Holding S.A., única que demonstrou interesse oficialmente em adquirir a UPI Futebol. Ou seja, o processo de venda da SAF volta para a estaca zero e só avançará rapidamente caso os investidores aceitem as mudanças estabelecidas.

O documento colocado em votação foi escrito por Jorge Casagrande, um dos advogados dos credores. Ele tinha como base o elaborado por Dyego Tavares, outro advogado dos credores, mas com modificações que haviam sido aprovadas em 24 de outubro. Essas alterações, porém, não eram as desejadas pelo Tricolor, nem pelos investidores.

Nas últimas três semanas, os credores e os investidores se reuniram para debater os pontos divergentes, mas sem acordo. Até houve uma solicitação de Dyego Tavares para novo adiamento da assembleia para última tentativa de consenso. No entanto, foi rejeitado por ampla maioria.

Por conta das divergências entre os credores sobre o documento colocado em votação, o plano recebeu mais votos de abstenção do que votos favoráveis – foram 56 votos “sim”, 45 abstenções por voto e outras 12 abstenções sem voto. Ainda assim, o documento foi aprovado com 61,54% dos votos válidos.

Vale destacar que se o plano fosse reprovado, abriria um processo de falência do Paraná Clube. “Se o plano for rejeitado e não havendo outro plano, a consequência natural disso é um despacho judicial convolando a Recuperação Judicial em falência”, disse Maurício Obladen, administrador judicial da RJ, antes dos votos.

A preocupação do Paraná Clube com o plano aprovado

Ainda antes da votação, o advogado do Paraná Clube, Gioser Cavet, afirmou que o plano, que foi aprovado na sequência, vai atrasar a definição sobre o futuro paranista, além de aumentar a dívida com o Banco Central (Bacen) e a Fazenda Nacional.

“Vamos recomeçar do zero e discutir um novo plano. É começar a falar que não estamos tratando efetivamente de um plano estruturável. A cada 30 dias a dívida do Paraná aumenta R$ 1 milhão com o passivo fiscal”, opina Cavet.

Cavet também enfatizou a preocupação com as dívidas fiscais, que já somam mais de R$ 100 milhões, mas seriam reduzidas em um acordo. A proposta da NextPlay prevê o pagamento de R$ 42 milhões.

“Vejo muita discussão, mas nenhum momento vejo uma proposta concreta de enfrentamento da questão do passivo fiscal. Ao longo de três anos, conversando com o presidente [Ailton Barboza de Souza], não houve uma proposta séria até a NextPlay que viesse o passivo do clube e a possibilidade de redução através de uma transação fiscal. Eu defendo, como advogado da recuperanda, o plano que carimba um dinheiro que vai ser levado para o passivo fiscal e está atrelado à UPI Futebol”, comenta o advogado.

(Foto: Divulgação/Paraná Clube)

O representante do Paraná Clube ainda revelou que a NextPlay considerou repassar o valor que seria pago para as transções fiscais para o pagamento dos credores.

“Não era a proposta ideal, mas é uma alternativa que pode ser aprofundada. Esqueçamos a entrega da Sede da Kennedy e passamos a destinar o valor da UPI Futebol para o pagamento dos credores. Dentro desta proposta, seria o pagamento dos valores da UPI Futebol. Vamos imaginar que os R$ 42 milhões para a Fazenda e a NextPlay reverte para os pagamento dos credores. Os R$ 42 milhões seriam pagos em cinco anos, com um ano de carência, parcelas anuais e corrigidos pela TR (Taxa Referencial) e mais 1% ao ano. Os senhores tratam deste pacote de dinheiro e, claro, que o clube, a recuperanda e a SAF ficam com os ativos imobiliários, que precisam ser usados. O passivo fiscal tem que ser enfrentado também”, ressalta Cavet.

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